peru-1 ROTEIRO: Peru pra quem não quer passar aperto

O perfil de todo viajante muda um bocado com o passar do tempo. Conversa óbvia, mas que muitas vezes acaba excluindo alguns destinos bacanas do seu roteiro. Muito diferente dos tempos de mochileiro, hoje sou avesso a grandes aventuras sem estrutura. E quando a gente fala de uma trip pro Peru qual o estereótipo que logo aparece? Água não potável, mosquito, floresta, dias de caminhada, falta de ar e muita comida suja. Em partes, o estereótipo está correto. Mas a notícia boa é que a maior parte está errada e você pode estar perdendo um mega destino enquanto se apega a falsas verdades.

O Peru é um país que tem o turismo como uma de suas prioridades. Isso é visto em todos os momentos. A recepção das pessoas, desde o aeroporto, é sensacional. Você vai se sentir em casa rapidinho. O roteiro que vou sugerir aqui foi uma feliz surpresa em meu currículo de viagens e faço questão de recomendá-lo em uma série de pontos e te chamar atenção em outros. A viagem que fiz foi um pouco mais longa que a do roteiro, achei que os dias sobraram e reajustei em um cronograma que considero mais adequado. Bora lá?

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LIMA: 3 NOITES

A maioria dos viajantes que visitam o Peru usam Lima apenas como porta de entrada e logo seguem para Cusco. Saiba que se você deixar Lima de lado, vai perder uma cidade cheia de culinária de primeiríssima linha, lojas bacanas e pontos turísticos bastante interessantes.

DIA 1: REGIÃO CENTRAL DE LIMA

Comece o dia visitando as atrações da área central da cidade. Por volta das 9 da manhã, vá até a Plaza San Martin e derrube aí o primeiro estereótipo do Peru: não tem sujeira! As praças são extremamente limpas e com jardins muito bem cuidados. O esforço para cuidar das praças é ainda mais valorizado quando lembramos que em Lima praticamente nunca chove. Ou seja, se está verde é porque tem alguém jogando água.

Na Plaza San Martin você vai se deparar com construções do século passado. A praça é decorada com quatro fontes, bancos de mármore e também o monumento a José de San Martin. Após alguns minutos na praça, siga a pé pelo Jirón de la Unión (uma espécie de calçadão ou rua de pedestres) com destino ao lugar onde a cidade de Lima nasceu, a Plaza de Armas (ou Plaza Mayor).

A Plaza de Armas abriga algumas das principais atrações da cidade. Além do Palácio do Governo, estão ali a Catedral de Lima, Palácio Acerbispal, Palácio Municipal e o Club de la Unión. Uma visita que vale a pena é pelo Palácio Acerbispal, onde uma simpática guia irá te mostrar as áreas do prédio e também te dará uma aula de arte peruana. Interessante pra gente aprender sobre as diferenças entre as escolas Cusquenha e Limenha de arte.

Uma atração bastante falada é a troca da guarda do Palácio do Governo. Acontece sempre as 11:45. Sinceramente? Não crie expectativas. É algo pequeno demais para o alarde que fazem sobre ela.

Próximo a praça, você pode também visitar a Igreja de São Francisco, suas catacumbas, uma biblioteca e o monastério.

Dia cheio de história, né? Então no meio da tarde, dê uma parada no hotel para um banho e se prepare para o Circuito Magico del Água (Parque de la Reserva, Santa Beatriz, Lima). Um parque com 13 fontes de águas que dão um show (além das luzes normais, todas as noites existe um show de lasers e projeções na fonte principal).

Quer uma sugestão pro jantar? Vá ao La Mar Cebichería   (Av. La Mar 770, Miraflores – Tel. (51 1) 4213365). O restaurante é do über-chef Gastón Acurio e de sua esposa, Astrid Gutsche. É um restaurante muito bonito, mas ainda assim com um toque informal. Escolha algum dos cebiches e seja feliz. As sobremesas também são famosas e eu recomendo os Picarones e o Suspiro Limeño. Pra beber, que tal começar por um original pisco sour? Não tem erro.

DIA 2: MIRAFLORES

Paulistas gostam de dizer que Miraflores corresponde aos Jardins de Lima, mas há quem goste de apelidá-la de Ipanema limenha. Independente da referência que você quer pra você, já deu pra entender que estamos em uma região bastante interessante. Se você ainda não escolheu seu hotel, trate de escolhê-lo neste distrito. É definitivamente a melhor região para se hospedar.

Comece o dia com seu primeiro contato com os ancestrais limenhos visitando a pirâmide de Huaca Pucllana (General Borgoño cdra. 8, Huaca Pucllana – Miraflores). O parque arqueológico rodeia uma praça de rituiais dos antigos moradores da região. Vale a pena. Fica perto de tudo e é interessante. Dali, vá almoçar em algum dos restaurantes do shopping Larcomar. Ele é bacana porque está encrustrado em meio as pedras de frente pro Pacífico. Se estiver disposto, vá caminhar e conhecer o Parque do Amor (Avenida Malecón Cisneros, cuadra 8).

A noite, prepare-se para o ponto alto da gastronomia peruana desse roteiro, o restaurante Astrid & Gastón (Calle Cantuarias 175, Miraflores). Considerado o 14˚ melhor restaurante do mundo, é também do chef Gastón Acurio, o cara responsável por internacionalizar a cozinha peruana. Como você já deve estar imaginando, este não é o restaurante mais barato da cidade, mas é sem dúvida uma experiência e tanto. Ali é o lugar para experimentar o cuy (porquinho da índia) ou as entradas de batatas coloridas com polvo. É inesquecível e vale cada centavo investido.

DIA 3: PARTIDA PRA CUSCO

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CUSCO: 5 NOITES

A cidade de Cusco é a Ouro Preto peruana. A parte histórica é toda bonitinha, cheia de construções antigas e museus. O entorno reserva tudo aquilo que a maioria dos turistas vieram buscar: ruínas e cultura inca.

DIA 1: DIA DE AMBIENTAÇÃO

A recomendação é recorrente e bastante importante: não corra, não faça muito exercício e espere seu corpo se acostumar com a altitude. É dia de ficar bem tranquilo e tomar muito mate de coca. Aproveite esse dia para voltas mais curtas pela cidade, como ir até a Plaza de Armas (aproveite e reserve seu tour pelo Vale Sagrado!).

DIA 2: O VALE SAGRADO

Vamos combinar que ir até o Vale Sagrado sozinho não é uma boa ideia. Então, no dia anterior ao tour, procure uma agência de turismo e compre um day tour para o Vale Sagrado. Você vai de ônibus particular, com guia te acompanhando e explicando uma série de detalhes que sozinho você se daria mal. Tem a desvantagem de se andar em grupo, mas vai por mim: é melhor que ir por conta própria. Para aproveitar esse day tour, você deverá comprar a Boleta Turística (que depois vai servir de entrada para várias outras atrações). Mas relaxe, pode deixar pra comprar isso quando estiver em Cusco mesmo.

O tour vai tomar o dia todo e te levar por paisagens incríveis da cordilheira. O preço médio é de 25 dólares. As paradas mais famosas são:

  1. Písac: você vai visitar um mercado de artesanias que é ótimo para comprar artesanato e os típicos chullos (aqueles gorros de gosto duvidoso, mas que ninguém resiste!). Em Písac, você vai conhecer os terraços de agricultura dos incas em vistas de perder o fôlego (especialmente na hora de subir até lá).
  2. Almoço: normalmente em restaurantes em estilo buffet. Vários tours incluem o valor no pacote, consulte!
  3. Fortaleza de Ollantaytambo / Templo do Sol: você vai se deparar com um morro repleto de ruinas. Ali você vai poder conhecer o Templo do Sol e mais detalhes da cultura inca que rende sempre uma boa história.

DIA 3: MUSEUS DE CUSCO

Depois de uma ida todo viajando pelo Vale Sagrado, uma sugestão é passar o dia na cidade de Cusco. Aproveite que você já tem sua Boleta Turística e vá explorar os museus da cidade. Tem bastante coisa a ser vista. Termine o dia em um teatro simples, para assistir aos bailarinos dançando e cantando a cultura de todo o Peru no Centro Qosqo de Cultura e Arte Nativa. O show não é nada incrível, chega a ser ingênuo. Mas é legal pra ver um pouco de folclore.

DIA 4: SAÍDA PARA MACHU PICCHU

É claro que se você chegou até essa parte do mundo, está planejando um pulo a Machu Picchu. Se está esperando sofrimento, fique tranquilo. Vai dar tudo certo! Lembra que lá no começo do post destaquei a qualidade dos serviços peruanos? A turma vai te tratar bem e você vai sobreviver sem estresse se fechar tudo com antecedência em Cusco.

O Rumo sugere que você compre um pacote de viagem dormindo uma noite em Águas Calientes (ou cidade de Machu Picchu), porque assim você consegue acordar no dia seguinte bem cedo e chegar antes de todo mundo lá em cima. O pacote custa sempre em torno de 300 dólares e você vai de trem de Cusco até Águas Calientes (com opção de saída por Ollantaytambo). Não espere muita coisa de Águas Calientes. Cidade pequena e que só existe como ponto de parada. Ao sair pra jantar, fique de olho nas taxas de serviço. Os restaurantes divulgam um valor, mas no final do jantar alguns cobram taxas adicionais turísticas que são quase o preço do jantar. Fria!

DIA 5: VISITA A MACHU PICCHU

Acorde cedo. Na verdade, você deveria madrugar mesmo. Isso porque nas primeiras horas da manhã o parque está mais vazio, sem todo o pessoal que chega nos trens vindos de Cusco e assim suas fotos ficam mais bonitas. Mas não ache que estará muito vazio, ainda sim tem bastante turista chegando cedo. O primeiro ônibus que sobe pra lá sai as 5:30 da manhã. Eu peguei o ônibus das 6:00.

A visita a Machu Picchu dispensa informações adicionais. Você vai ficar realmente impressionado com tudo. É mesmo sensacional. Esse dia na montanha não oferece muito conforto. Ali vai ser a hora de esquecer sujeira ou mosquito. Leve repelente e aproveite a vista. Depois de olhar tudo, escolha um cantinho pra relaxar!

A volta para Cusco se dá de trem, alguns pacotes param em Ollantaytambo, de onde a viagem é terminada de ônibus.

DIA 6: VOLTANDO PRA LIMA

No dia seguinte, pegue seu vôo de volta pra Lima e descanse. Passe mais uma noite na cidade, aproveite pra dar um pulo no Jockey Plaza (Monterrico, Lima) – um shopping de primeiríssima linha.

DIA 7: VOLTANDO PRO BRASIL

Pronto. Agora é hora de voltar pra casa cheio de Inca Kola na bagagem!

Avião Lima-Cusco: LAN ou Star Peru (prefira a Lan!)
Pousada em Cusco: Piccola Locanda (peça ao taxista te deixar na Calle Don Bosco / Plaza San Cristobal e não na Plaza de Armas)

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Não se intimide com os relatos que você vai encontrar sobre o Peru. Vá com tranquilidade e se planejando que você não vai passar aperto. Boa viagem!

 

Por_Henrique

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