sach-1 SACHSENHAUSEN: viagem sombria ao passado alemão
Todas as vezes em que passou pela minha cabeça ir a um campo de concentração nazista, um sentimento de tristeza aparecia. Eu não chegava a sofrer, mas tinha em mente o que tudo aquilo significou para a história humana. Acredito que não seja o sonho de ninguém conhecer um lugar desses, mas eu chamo a visita a um campo de concentração de experiência. Não é um passeio, é a sua chance de estar frente a frente com um passado cruel que é difícil acreditar que aconteceu.

Sachsenhausen foi ativado em 1936 em uma região próxima a Berlim. O local servia como prisão de políticos, homossexuais, polacos, judeus e Testemunhas de Jeová. 100 mil deles morreram de variadas formas: execução, fraqueza, frio ou desnutrição.

Pesado, né? E o estranho é que quando você lê uma história assim, não consegue sentir exatamente a vibe. Quando você chega a um lugar desses, um medo e uma tristeza enormes tomam conta de você. Confesso nunca ter sentido nada igual na minha vida toda e agora, escrevendo este post, volto a sentir exatamente a mesma coisa. É impossível sorrir num lugar desses. A cada história que você ouve e a cada lugar que você pisa, a história vai tomando proporções inacreditáveis.

Sachsenhausen está extremamente bem conservado, você ainda consegue passar pelo portão com seu ARBEIT MACH FREI (em Alemão, “O trabalho liberta”). Os alojamentos estão lá, com camas apertadas e sem colchão, banheiros minúsculos utilizados pelo alojamento todo, laboratórios onde os prisioneiros eram submetidos a experimentos proibidos até mesmo em animais e os necrotérios. Tudo aterrorizantemente novo.

O maior baque de todos vem, sem dúvida, no momento em que chegamos à fábrica da morte. Os locais onde os prisioneiros eram executados. Ali existiam paredões de fuzilamento e câmaras de gás. A eficiência era extrema e os métodos eram tão aperfeiçoados, que o campo de Sachsenhausen foi considerado referência, servindo de campo modelo para treinamento de generais da SS que iriam atuar posteriormente em outros campos de concentração. A sensação só piora com o frio extremo do inverno alemão.

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MAS ESSE PASSEIO É MUITO TRISTE. VOCÊ INSISTE QUE EU VÁ?

Insistir para que você conheça um lugar desses é a última coisa que vou fazer. Mas que a experiência de poder ver de perto a que ponto o ser humano pode chegar, é importante na sua vida. Não sei dizer se é bom ou ruim. Sei que é único. Não merece apreciação. Merece nossa atenção. Talvez seja um alerta para que isso não se repita. Um tapa na cara.

QUERO IR, MAS NÃO QUERO IR SOZINHO. COMO FAÇO?

Já tinha falado deles anteriormente, o pessoal da SANDEMANs de Berlim leva a turma pra conhecer o lugar de trem. Tudo muito organizado e com preço bacana. Lembrando que o campo de concentração fica fora da capital, mas tem toda estrutura pra receber, com banheiros, lanchonetes, museu e etc. Prepare-se, ficar de frente com um uniforme da SS original é barra pesada.

COMO CHEGAR LÁ?

Campo de Concentração, Memorial e Museu de Sachsenhausen -  Este campo de concentração fica nos arredores de Berlim, em Sachsenhausen, aldeia a 3km ao norte de Oranienburg.

Tomar o S-Bahn 1 até Oranienburg (não confundir com a estação de metrô Oranienburg). Leva cerca de 45 minutos. De lá o ônibus 804 até a parada Gedenkstätte, ou siga à pé.

Aberto de terça a domingo 15/out-14/mar 8h30-16h30, e 15/mar-14/out até as 18h. Entrada gratuita.

Boa viagem!

*As directions de como chegar lá, vieram daqui.

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